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domingo, 14 de abril de 2013

Assis

Assis, ou Assisi em Italiano, é uma cidade medieval e Sé episcopal, situada na região da Úmbria, província de Perúgia. A Úmbria conhecida como "Coração Verde de Itália" caracteriza-se pela suas belas paisagens onde as montanhas e vales contrastam com as suas planícies e nos dão o testemunho de uma riqueza medieval única. E foi na manhã em que seguia para Roma que decidi percorrer esta paisagem e rumei primeiro a Assis, cidade-mãe de São Francisco de Assis, fundador da Ordem dos Franciscanos. Para muitos devotos, São Francisco de Assis foi a maior figura cristã desde Jesus Cristo, pois em adulto seguiu uma conduta em todo semelhante. E não é que o nosso novo Papa escolheu o seu nome católico baseado na sua admiração por São Francisco de Assis? :)
 
É em redor de uma extensa planície, no cimo do Monte Subásio, que surge Assis e a sua bela Basílica di San Francesco. Inserida na antiga colina conhecida como "Colina do Inferno", local onde os criminosos eram executados, é hoje conhecida como a "Colina do Paraíso".
 
Sepulcro de S. Francisco, são os Frades Francicanos Conventuais os guardiões dos seus restos mortais. A construção deste Basílica foi iniciada após a sua canonização, em 1228, e conta com uma decoração feita por vários famosos artistas da época como, por exemplo, Giotto, Cimabue e Lorenzetti. A Basílica em si é composta por um Igreja inferior, onde vários peregrinos ficavam acomodados e que por isso mesmo representa a penitência, uma cripta, um convento e uma Igreja superior, que representa a glória de S. Francisco.
Declarada Património Mundial pela UNESCO, é um dos maiores santuários cristãos de todo o mundo e recebe muitos peregrinos todos os anos. Esteve encerrada até início do ano 2000, após ter sido arduamente restaurada, depois de um violento sismo ocorrido em Setembro de 1997. A entrada na Basílica é livre e a vista dela sobre a Úmbria é fabulosa.
 


 
Vale a pena também perder um pouco de tempo e percorrer as ruas e praças de Assis e sentir o seu ambiente distinto.
 

 
Foi uma passagem curta mas que me deixou óptimas impressões desta cidade e desta região, pelo que recomenda a sua visita.
Seguimos para Roma?

terça-feira, 9 de abril de 2013

Florença

Qual a cidade que mais gostei de conhecer em Itália? É uma pergunta difícil de responder, mas cada vez que me fazem esta pergunta o meu primeiro pensamento pára em Florença! Apesar de tudo o me vi e ao qual me rendi, esta cidade é de uma beleza e de uma inspiração impossíveis de descrever... será que foi por ter sido esta a região onde passei mais tempo? Será que foi por ter sido esta a cidade onde comemorei o meu 27º aniversário? Talvez sim e sei que estas razões lhe atribuíram um significado especial mas também sei que houve algo mais! Por curiosidade... já ouviram falar no Síndrome de Stendhal? Diagnosticado nos anos 70 pela psiquiatra Graziella Magherini, Stendhal era um autor francês que ao entrar na Igreja de Santa Croce, teve um surto cujos sintomas foram tonturas, taquicardia e confusão mental. A origem? O excesso de beleza desta Igreja. Segundo esta médica, os turistas que não estão preparados para o excesso de beleza desta cidade tornam-se susceptíveis de contrair este Síndrome... acreditam?
Florença situa-se a região da Toscana e na província com o seu próprio nome.  Teve origem numa povoação Etrusca e o seu apogeu coincideu com a governação da família Médici, entre os séculos XV e XVIII. Esta era uma família de banqueiros, cidadãos comuns, cuja dedicação à população lhes conferiu grande destaque e os levou a serem considerados, pelo povo, como família real. Carolimo de Médici, conhecido como o "Velho", foi o primeiro membro de destaque desta família, no século XIV. No século XV a família Médici fundou o Hospital Tozzi Firenze, o maior da Europa naquela altura e este foi o salto que lhes proporcionou poder político e os tornou na dinastia "política" (uma vez que não eram monarcas) que governou Florença. Tendo sido das famílias mais ricas da Europa, a família Médici preocupou-se também em contribuir para a melhoria do sistema de contabilidade. Foi durante a sua governação que a preocupação pela arte e pelo humanismo floresceu, tornando-se Florença o centro cultural e intelectual da Europa. Desta família surgiram também 4 Papas: Papa Clemente VII, Papa Leão X, Papa Pio IV e Papa Leão XI. Também por influência dos Médici, Florença é considerada o berço do Renascimento italiano, sendo o palco de inúmeras obras de arte de artistas sem igual como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Botticelli, Giotto, Donatello, Dante (que aqui nasceu), Maquiavel, entre muitos outros.
 
 
 
Tal como não poderia deixar de ser, o Centro Histórico de Florença é Património Mundial da UNESCO. Segundo esta entidada mais de metade das importantes obras de arte de todo o Mundo encontram-se em Itália e, desta parcela, cerca de metade estão em Florença. A sua riqueza é mesmo única e a cidade um autêntico tesouro, pelo é considerada das maiores capitais artísticas de todo o mundo! Para facilitar a visita da cidade, e à semelhança de outras cidades italianas, Florença também tem o seu Cartão Turístico, com um custo de 50 euros e uma duração de 72 horas (a contar a partir da primeira visita), que permite o acesso a muitos dos museus e igrejas da cidade assim como a transportes públicos. Acreditem que para quem queira visitar a maior parte destes monumentos vale a pena adquirir o cartão, pois à excepção do Duomo, a visita a todos os restantes monumentos que aqui irei referir é paga. Consultem em: www.firenzecard.it
 
À semelhança de outras cidades italianas a circulação automóvel nesta zona é limitada e sujeita a autorização das autoridades (à excepção de veículos prioritários e alguns transportes públicos) - ZTL: Zone a Traffico Limitato. Estacionei na periferia e apesar de ter procurado bem informo que não encontrei nenhuma zona isenta de pagamentos de parquímetros... Quando cheguei ao hotel o gerente aconselhou-me a fornecer-lhe a minha matrícula, de forma a que ele pudesse colocá-la numa base de dados informática - é este o procedimento para pedir  autorização para a circulação automóvel. Quem visitar a cidade de carro e não der conhecimento da sua viatura, se for apanhado pela polícia a conduzir sujeitasse a ser multado por isso não se esqueçam deste detalhe importante! De qualquer forma asseguro-vos que Florença é uma óptima cidade para se visitar a pé.
 
Organizei a minha visita pela cidade caminhando no sentido de norte para sul, percurso dividido por três dias.
Em primeiro lugar passei pela Piazza di San Marco, zona que antigamente era ocupada por estábulos e armazéns que albergavam os animais da família Médici - girafas, leões e elefantes. Hoje em dia é um simpático bairro universitário onde encontramos a Accademia di Belle Arti, a mais antiga escola de belas-artes do mundo e que ainda se encontra em funcionamento. É aqui que podemos visitar a Galleria dell'Accademia, a primeira escola europeia criada com a finalidade de ensinar as técnicas de desenho, escultura e pintura. Reune também uma coleção de arte, da qual se destaca a obra mais famosa de Miguel Ângelo: a escultura original de David, que conferiu ao seu autor o reconhecimento de ser o maior escultor da sua época. Este é uma estátua de 5,20 metros que representa o colossal nú do herói bíblico que matou o gigante Golias. Nada foi deixado ao acaso e, de facto, desde os pequenos detalhes ao grosso desta estátuta, o que os nossos olhos vêm é uma figura masculina no seu expoente máximo, na qual tudo é perfeito! Aqui dentro é proibido tirar fotografias...  
 
Um pouco mais abaixo cheguei à Igreja de San Lorenzo, antiga igreja paroquial da família Médici. No seu interior para além de obras de arte encontramos integrado o complexo das Cappelle Medicee, que inclui a Cappella dei Principi (Capela dos Príncipes) e cuja cúpula foi inspirada na do Duomo e o Mausoléu dos Médici, com a respectiva cripta dos túmulos da família Médici (a Sagrestia Nuova). Dentro da Igreja também existe uma biblioteca que abrigava os manuscristos desta família.
 
 


Continuando o meu percurso, cheguei ao centro histórico (e geográfico)  de Florença, onde se encontra uma das suas maiores atrações: o Duomo - Basílica di Santa Maria del Fiore - com o seu Campanário (obra de Giotto) e o Baptistério situados  entre a Piazza di San Giovanni e a Piazza del Duomo.

 


 
O Batistério é um dos mais antigos edifícios da cidade e é conhecido pelas suas portas de bronze, encomendadas como o intuito de celebrar o fim da peste negra que assolou a cidade. São as portas de leste que Miguel Ângelo baptizou como as "Portas do Paraíso" e que dispõem de 10 painéis em relevo, que identificam cenas bíblicas.
 
 
 




O campanário ou torre sineira, foi projectado por Giotto e tem uma altura inferior à da cúpula, com cerca de 86 metros. O término da sua construção ocorreu já 22 anos após a sua morte. A sua fachada é em mármore branco, rosa e verde e serviu de inspiração para a fachada do Duomo. 
O Duomo, monumento de estilo gótico-renascentista, é considerado de maior importância para a história da arquitectura e desde o início da sua construção até ao término da sua fachada decorreram 6 séculos! A sua construção foi feita no local da antiga catedral dedicada a Santa Reparata, sendo que a nova catedral deveria ser uma obra de arte que "a indústria e o poder do homem não pudessem inventar ou mesmo tentar nada maior ou mais belo". De fato, atualmente, este Duomo é o quarto maior da Europa e é o edíficio mais alto da cidade. A sua cúpula (de Brunelleschi) está revestida de impressionantes frescos alusivos ao Juízo Final, à qual é possível subir (tem uma altura de cerca de 91 metros) e apreciar as vistas sobre a cidade. 
 
 

O seu interior é amplo, claro com um aspecto  "imaculado", mas ricamente adornado. Um dos objectos de maior atenção é o seu relógio de 24 horas, em numeração romana menos convencional (por exemplo, o número 9 em vez de IX encontra-se como VIIII), que funciona em sentido anti-horário, regendo-se pela hora itálica (sistema horário utilizado em Florença até meados do século XVIII, cujo início do dia era marcado pelo pôr-do-sol). Outra característica é que a hora um encontra-se na porção inferior do relógio e não na superior, como estamos habituados, como forma de aproximar a hora do relógio à posição do sol. Em redor do relógio encontramos o busto de quatro profetas ou de quatro evangelistas (as opiniões são divergentes).

 
Confesso que foi o exterior do Duomo que me deixou verdadeiramente impressionada! É indescrítivel a sensação de tive ao olhar para a fachada em mármore do Duomo... o edíficio estava envolto numa atmosfera própria, irreal, como uma alucinação de rara beleza ou como se o tempo tivesse parado naquele local e eu tivesse sido transportada para outra época. E à parte do Sindrome de Stendhal  seria capaz de ficar horas e horas a observar a sua beleza inigualável!
 




Eu optei por não visitar o campanário e nem quis subir à cúpula do Duomo já que guardei a observação da cidade do cimo da Piazzale Michelangelo, o que vos irei descrever mais à frente. Na minha opinião, foi a escolha acertada!
Nos arredores do Duomo podemos encontrar o Museu del’Ópera del Duomo, o museu destes 3 edíficios, onde estão guardadas as suas obras de arte originais e que refletem a sua história.
 
A continuação do meu percurso levou-me a encontrar a Piazza della Repubblica, local onde se situava o antigo fórum e onde decorria o principal mercado alimentar da cidade. Hoje em dia é aqui que encontramos os mais antigos e conhecidos cafés e restaurantes da cidade. Na altura da minha viagem, no centro desta praça estava um luminoso carrocel, atração para todos os que por ali passavam. Foi nesta praça que encontrei o Hard Rock Café e como sempre lá fui eu escolher uma t-shirt!

 
Continuando a caminhar para sul da cidade, cheguei à Piazza della Signoria, segundo a opinião geral, a mais animada e emblemática das praças de Florença, onde fica situado o Palazzo Vecchio - a atual câmara municipal da cidade - um edifício que conserva algumas das suas características medievais. Esta praça é ainda o palco que serve de exposição a várias estátuas, que assinalam os principais acontecimentos históricos da cidade: a Fontana di Nettuno - o Deus do mar rodeado de ninfas simboliza as vitórias navais da Toscana; a estátua de David - a cópia da obra de arte de Miguel Ângelo que simboliza o triunfo sobre a tirania - e várias outras que assentam na Loggia dei Lanzi, como por exemplo a estátua de Perseu de Cellini que aqui mostra a decapitação de uma medusa, o que constituía um aviso aos inimigos de Cosimo I.


 
É por aqui que encontramos também uma das mais importantes galerias de arte de Itália e do mundo - as Galerias Ufizzi. O edifício foi inicialmente construído no século XVI, como escritórios de um dos elementos da família Médici. O seu piso superior possui uma fachada quase inteiramente em vidro o que permite também vislumbrar alguns ângulos da cidade de Florença sobre a Ponte Vecchio (vejam na segunda fotografia abaixo). Tem comunicação com o corredor de Vasari - Corridoio Vasariano - cujo percurso sobre a Ponte Vecchio permite chegar  ao Palazzo Pitti, situado do outro lado do rio Arno. Atualmente o seu interior encontra-se dividido em várias salas que albergam em si colecções de pintura e escultura únicas em toda a Itália - legados da família Médici ao povo florentino. Para quem não adquira o Firenze Card aconselho a reservar bilhete com alguma antecedência porque rapidamente esgotam. O site oficial através do qual podem fazer a reserva é: http://www.uffizi.firenze.it
 

  
A Ponte Vecchio permite-nos fazer a travessia sobre o rio Arno, para o outro lado da cidade. É a mais antiga ponte da cidade e foi projetada por um pupilo de Giotto tendo sido a única que não foi destruída aquando da II Guerra Mundial. Na sua ala oriental foi construído parte do corredor paralelo sobre as lojas - o Corridoio Vasariano - que permitia à família Médici deslocar-se secretamente sem se misturar com o povo. Atualmente encontra-se repleta de lojas como antiquários e joalharias.
 
Do outro lado da Ponte Vecchio encontramos o bairro de Oltrarno que nos permite ter uma noção mais real de Florença antiga. É neste bairro que podemos visitar o Palazzo Pitti, outrora residência de um banqueiro determinado em superar a supremacia dos Médici. Contudo e, ironicamente, este palácio acabou por ser comprado por um dos elementos da família Médici, quando os herdeiros de Pitti entraram em falência. A partir daqui este edifício tornou-se a residência principal dos governantes de Florença. Hoje em dia este monumento integra, dentro de si próprio, várias galerias com obras de arte de grandes artistas renascentistas, como Raffaello. 

  
Na minha opinião, um dos momentos altos ao visitar esta cidade surge quando visitamos a Piazzale Michelangelo. Apesar da possibilidade de subir à cúpula do Duomo ou ao campanário, não há vista sobre a cidade igual àquela que obtemos deste local. Após alguma ginástica para subir a escadaria que lhe dá acesso, o ar puro que aqui se respira e o ambiente que aqui se encontra são únicos. Claro que encontramos aqui muitos vendedores de recordações da cidade assim como músicos de rua que aqui encontram o seu palco para atuar e deslumbrar os locais e turistas que diariamente aqui passam. Aconselho vivamente a observar o pôr-do-sol de Florença deste local... é simplesmente magnífico!

 




Daqui visualizamos também a Igreja de Santa Maria Novella, construída para os Dominicanos. Encontra-se junto à principal estação ferroviária de Florença. Acabei por não visitar o seu interior pelo que não posso ajuizar sobre a mesma.
 




Também a visitar é a Igreja de Santa Croce, de estilo gótica, é a principal igreja franciscana de Florença e diz-se mesmo  que foi fundada por São Francico de Assis. No seu interior encontramos os túmulos de Michelangelo, Maquiavel e Galilei, sendo por isso conhecida como "o Panteão das Glórias Italianas". A sua decoração interior contempla bonitos frescos de Giotto. No claustro está um monumento dedicado a Florence Nightingale, a "mãe" da Enfermagem, já que Florença é a sua cidade berço e da qual recebeu o seu nome. Não é possível tirar fotografias no seu interior. Vale a pena a sua visita!
 
Acabei por não conseguir visitar o Bargello, um outro museu da cidade, mas para quem gosta de arte é muito aconselhado. Situa-se próximo da Piazza di San Firenze, junto à Piazza delle Signoria. O seu edifício tal qual uma fortaleza serviu, ao longo dos tempos, como Câmara Municipal (antes do Palazzo Vecchio), como prisão (o pátio principal era palco de execuções públicas) e como residência oficial do chefe da polícia (cujo nome Bargello "baptizou" este edifício). Hoje em dia reúne uma colecção de esculturas italianas impressionantes, organizada em três pisos. Não é possível tirar fotografias no seu interior. Para muitos, este Museu rivaliza com o Palazzo Pitti pelo lugar do segundo maior museu de Florença.
 
Sei que este post ficou um pouco longo mas resumir a cidade de Florença não é tarefa fácil... contudo foi dos posts que mais prazer me deu em escrever. E acreditem que muito mais há a conhecer na cidade das artes. De fato, não há cidade que lhe seja comparável! Não deixem de a visitar e vejam pelos vossos próprios olhos :)

Pegando novamente no meu Fiat 500 segui em direcção a Roma, mas pelo caminho ainda fiz uma paragem em Assis, por isso lá nos encontraremos!

 

quinta-feira, 28 de março de 2013

Siena

Aproveitando a estadia em Florença, um dos dias foi dedicado a conhecer os seus arredores, particularmente a vila de San Gimignano  e a cidade de Siena. Após cumprir a primeira visita segui rumo a Siena, uma cidade situada numa colina na região da Toscana e pertencente à província com o seu mesmo nome. Foi realmente um dia muito bem passado pois depois de me ter apaixonado por San Gimignano fiquei completamente rendida a Siena também!

 
Segundo a mitologia romana, Siena foi fundada por Senius e Aschius, filhos de Remo (irmão de Rómulo, fundador de Roma). Outrora um povoamento etrusco, Siena foi também uma colónia de Roma sob o domínio de Augusto. Reconhecido pólo cultural, artístico e político tornou-se numa cidade autónoma de cariz republicano, o que lhe valeu inúmeras lutas, nomeadamente com a eterna rival cidade de Florença. Uma curiosidade: o argumento da Divina Comédia de Dante assenta nas divergências entre os Guibelinos de Siena e os Guelfos de Florença!
A devastação causada pela Peste Negra impediu Siena de recuperar por completo e fez-lhe perder a rivalidade com Florença. Daqui perde também a sua independência e passa a fazer parte do domínio político e administrativo da Toscana. Contudo, é ainda hoje em dia considerada a cidade medieval mais bonita de toda a Itália. Apesar de tudo, não é de admirar que o centro histórico de Siena, cercado ainda hoje por muralhas, tenha sido declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Tendo deixado o carro estacionado nos arredores, foi este centro histórico que fui conhecer (onde a circulação automóvel é limitada).

No posto de turismo de Siena adquiri um passe combinado - Opa Si Pass - que me permitiu ter acesso ao Batistério, à Cripta, ao Duomo, ao Museu dell'Opera del Duomo (onde se encontram, maioritariamente, obras de arte originais do Duomo), subir à fachada na Nave inacabada da Catedral - facciatone - e ainda visitar o Oratório de San Bernardino (junto à Basílica di San Francesco, fora deste complexo). Este passe tem a validade de 3 dias e podem adquiri-lo no site: http://www.operaduomo.siena.it.
Na foto seguinte podemos ver o Batistério onde se encontra a pia baptismal com relevos renancentistas de Donatello.


Subindo as escadas, pelo lado esquerdo do Batistério, entramos na Piazza del Duomo, e deparamo-nos com a lindíssima catedral de Siena, de estilo predominante o gótico. Esta catedral é um dos monumentos mais importantes de Itália e cuja ampliação foi projectada para fazer dela o maior templo cristão do mundo, contudo a devastação causada pela Peste Negra travou a execução completa deste projecto.



A riqueza artística do seu interior é de cortar a respiração! Desde o chão ao tecto, não esquecendo as suas paredes, desde Donatello a Miguel Ângelo, entre muitos outros artistas de renome, a Catedral está repleta de obras de arte. Os seus pilares de mármore branco e preto (as cores dos cavalos dos irmãos fundadores da cidade) sustentam a abóbada da nave, decorada em azul e com estrelas amarelas, que representam o céu noturno. Aqui dentro podemos fotografar à vontade o que é óptimo!






A Fachada faz parte do projeto de ampliação da Catedral e permite-nos ter uma noção do tamanho planeado para aquela que viria a ser a sua nave central. A subida faz-se em grupos restritos, através de uma escadaria estreita e em caracol com cerca de 130 degraus, mas vale mesmo a pena ter esta experiência! Cada grupo só sobe após o grupo anterior ter descido, pelo que podem ter que aguardar um pouco pela vossa vez. O seu cimo é um terraço aberto panorâmico que nos permite obter vistas incríveis sobre Siena. A foto abaixo mostra-nos a vista sobre o Duomo.

 
 

Da Fachada obtemos também uma vista incrível sobre a Piazza del Campo. Esta é uma das maiores praças medievais de toda a Europa e onde decorre duas vezes por ano, o Pálio di Siena, a famosa corrida de cavalos. Centro da vida social de Siena, foi na antiguidade um fórum romano - local de execuções, combates e feiras - e foi também o palco do mercado principal da cidade. Actualmente, encontra-se rodeada de cafés, restaurantes, bares e monumentos medievais, dos quais se destacam o Palazzo Pubblico de estilo gótico - a atual câmara municipal que inclui o Museu Civico - com o seu Campanile ou Torre del Mangi - a segunda maior torre medieval de Itália com 102 metros de altura, possíveis de subir após percorrer cerca de 505 degraus! A entrada é paga. Confesso que após ter subido a fachada, do topo da qual obtive vistas de toda a cidade e, particulamente, do centro histório, não tive coragem de subir mais estes degraus todos! Uma curiosidade: eram os sinos que se encontram no seu topo que anunciavam o início e o fim do dia de trabalho em Siena.



Outro atrativo é a Fonte Gaia, onde se destacam cópias dos relevos de Adão e Eva, entre outros. Esta fonte é abastecida por um aqueduto construído há mais de 500 anos!
 

Resumindo, conhecer Siena foi como viajar no tempo, não tenho outras palavras! Não deixem mesmo de conhecer esta cidade!

O próximo post será sobre Florença... finalmente :) 

domingo, 24 de março de 2013

San Gimignano

Aproveitando a minha estadia em Florença decidi passear pelos seus arredores. Num dos dias rumei a Siena mas passei primeiro em San Gimignano, uma pequena vila medieval rodeada ainda pelas suas muralhas e que parece ter parado no tempo, desde a Idade Média. O acesso à vila pode ser feito através de um dos seus cinco portões de entrada. Está situada na Região da Toscana, província de Siena e o seu centro histórico foi declarado Património Mundial pela UNESCO.
Outrora um povoado Etrusco, foi alvo de grande desenvolvimento quando se encontrava na rota dos peregrinos que rumavam até Roma, mas um desvio neste percurso e a Peste Negra levaram ao seu declínio económico e consequente abandono.
 
 
É famosa pelas suas torres - "San Gimignano delle bella torri" - mandadas construir por famílias nobres rivais ,nos séculos XII e XIII, como sinónimo do seu poder e riqueza. Cada família mandava construir uma torre com uma altura superior à última torre edificada, como forma de demonstrar  a sua superioridade. Este tipo de rivalidade levou a que o Conselho da vila decretasse em 1255 que nenhuma torre deveria ser maior em altura que a Torre Grossa, junto ao Palazzo Comunale. Chegaram a ser construídas 72 torres mas hoje em dia restam apenas 13.
A antiga Piazza delle Erbe, actualmente Piazza Ugo Nomi, tem uma forma triangular e é onde podemos encontrar duas torres "gémeas", mandadas construir pela família Ghibelline Salvucci.  Apesar do intuito da sua construção (terem ambas juntas uma altura superior à Torre Grossa, indo contra o decretado pelo Conselho), na realidade não têm sequer a mesma altura.
 
 
Na Piazza del Duomo podemos visitar a Basílica Collegiata di Santa Maria Assunta, dentro da qual vemos vários frescos sobre episódios do Antigo Testamento e temas como a Criação ou o Juízo Final. Ao lado do Duomo encontramos o Palazzo Comunale ou Palazzo del Popolo que integra o Museu Civico, com entrada paga e que permite a subida à torre mais alta da vila - a torre Grossa com cerca 54 metros de altura e 200 degraus. Esta é a única torre aberta ao público. Do outro lado do Duomo vemos o Palazzo Vecchio del Podestà com a sua Torre Rognosa (com cerca de 51 metros de altura, pensa-se que poderá ser esta a torre mais antiga da vila), que serviu de prisão até ao final do século XIV. Já foi entretanto convertido em hotel e em escola.
 
 
A Piazza della Cisterna, centro da vila antiga, deve o seu nome ao poço que se encontra no seu centro. Aqui encontramos várias esplanadas pelo que é um bom local para descontrair um pouco e ficar a observar o movimento da vila.
 
 

 
Agora algumas dicas que me lembrei:
- esta pitoresca vila é também famosa pelo seu vinho e pelo gelado (inclusivamente a Gelataria "Dondoli" ganhou por duas vezes o Concurso de Melhor Gelado do Mundo), pelo que não deixem de os saborear;
- a circulação automóvel no interior da vila é condicionada e sujeita a pagamento. Contudo, nos arredores da vila existe um parque gratuito, embora com estacionamento de duração limitada. Para quem não queira levar carro existem várias agências que fazem excursões de um dia e que combinam, inclusivamente, pacotes de visita a Siena e San Gimignano;
- a vila é um local turístico por excelência, sendo bastante movimentada, por isso vale a pena visitá-la bem pela manhãzinha (como eu fiz) ou passar lá uma noite, de forma a conseguir conhecer melhor este cantinho em horário de menor afluência.
 
Obrigada pela vossa companhia! Seguimos agora para Siena :)

sábado, 16 de março de 2013

Pisa

Desde o ínicio da organização desta viagem a grande dúvida era ir ou não ir a Pisa. A maior parte das opiniões que ouvi era que não valia a pena e que a cidade não tinha nada mais para ver para além da conhecida torre inclinada. Contudo algo em mim insistia para fazer esse desvio, quando estivesse a caminho de Florença. E teimosa como sou foi assim mesmo que fiz e em nada fiquei decepcionada. Sim, é verdade que a cidade nada mais tem para ver mas só e apenas a visualização daquela torre valeu pela visita e pelo desvio! Na realidade sempre tive imensa curiosidade em conhecer este monumento por isso não pudia deixar de o fazer, caso contrário aí sim ficaria desiludida comigo mesma!
 
Pisa é uma comuna italiana pertencente à província com o mesmo nome e situada na região da Toscana. Junto à costa litoral ocidental de Itália, o estuário de Pisa era o maior porto marítimo romano, tendo dominado as rotas comerciais com Espanha e com o Norte de África. Segundo a lenda, foi neste porto que desembarcou S. Pedro e foi daqui que partiu para Roma para pregar o Evangelho. Foi esta riqueza que lhe permitiu crescer culturalmente e avançar com a construção do Duomo, do Batistério e do Campanário - a Torre de Pisa.  
 
É no Campo dei Miracoli que encontramos a Catedral ou Duomo da cidade, o Batistério, o campanário ou Torre de Pisa e o camposanto - o cemitério da cidade. Todo este complexo foi declarado Património Mundial da UNESCO.
 
 
As entradas no Duomo, no Batistério e no Camposanto são livres. Entrei nos dois primeiros e percebi que a sua beleza exterior é continuada no seu interior, pelo que vale a pena conhecer estes dois monumentos, que são dos mais importantes da região da Toscana.
 
 
 
A Torre de Pisa, uma construção em mármore branco, levou cerca de 177 anos a ser construída, período este dividido em três fases, tendo sido o início no ano de 1173. A identidade do arquitecto responsável por esta obra é ainda hoje controversa. Desde o início que a Torre foi erguida a direito contudo, a partir da construção do seu terceiro andar, a estrutura foi ficando inclinada em direcção a sudeste, devido a uma fundação mal construída, assim como também devido a um subsolo arenoso, menos compactado e, por isso mesmo, mais instável (pensa-se que o seu subsolo seria, em outros tempos, um porto fluvial). Após uma primeira paragem de quase cem anos, a sua construção foi retomada e como forma de compensação da inclinação, decidiu-se erguer os andares com um lado mais alto e outro mais baixo o que levou a Torre, gradualmente, a inclinar-se em direcção contrária.
A Torre de Pisa tem uma altura perto dos 56 metros, com um desnível de cerca de 1 metro, dividida por oito pisos e um peso calculado em 14 500 toneladas! É possível subir ao cimo da Torre através de 294 ou 296 escadas, dependendo do lado pelo qual se sobe. A subida é paga e limitada em duração e a um número de visitantes organizados em grupos. Existe um horário definido ao longo do dia, para cada subida, pelo que aconselho reserva prévia, pois rapidamente os bilhetes esgotam. Podem adquiri-los através do site http://boxoffice.opapisa.it. Atenção que o acesso é interdito a menores de 8 anos. 
No topo da Torre estão 7 sinos com um peso combinado de quase 10 500 kg o que aumenta imenso a pressão desta construção!
 
Apesar da preocupação do Governo Italiano em empreender esforços para realizar trabalhos de restauro da edificação da Torre, de forma a impedir a sua queda, decidiu-se manter sempre alguma inclinação, já que é esta característica peculiar que vale a promoção do turismo nesta zona. O último trabalho de restauração da edificação decorreu entre o final do século passado e o início deste século, o levou ao fecho da Torre ao público. Permitiu diminuir a sua inclinação de 5,5º para 3,99º, o que equivale a cerca de 38 cm, o que não deixa de ser incrível! Desta forma, no final deste processo a sua visita foi considerada novamente segura pelo que foi reaberta. Este foi um trabalho da responsabilidade de uma vasta equipa, tanto multinacional como multiprofissional. Estima-se que a torre está a uma distância de quase 4 metros relativamente ao ponto onde se encontra quando comparado com o ponto onde se deveria encontrar, se estivesse completamente direita. Atualmente a Torre encontra-se inclinada para sudoeste. Os trabalhos de reabilitação da sua superfície são continuamente realizados pois os efeitos erosivos do clima assim como a "idade avançada" da torre não ajudam à sua manutenção.
O ambiente que se sente neste complexo é de diversão pois um pouco por todo o lado vemos as pessoas a simular movimentos relacionados com a inclinação da Torre e, claro, eu também não pude resistir a realizar alguns!
 
 
Agora duas curiosidades:
- um pouco por todo o mundo, nomeadamente na Alemanha, outras construções têm desafiado a celebridade da inclinação da Torre de Pisa;
- segundo uma lenda, foi nesta Torre que Galileu Galilei fez uma experiência sobre a lei da gravidade e demonstrou que a velocidade de descida de dois corpos diferentes é independente da sua massa.
 
Obrigado por me acompanharem nesta visita! Vamos continuar pela Toscana...