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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Kuala Lumpur

Kuala Lumpur (conhecida abreviadamente por KL) é, ao mesmo tempo, a capital, a maior e a mais populosa cidade da Malásia. Aqui encontramos o centro do desenvolvimento económico deste país e construções que pretendem demonstrar o seu rápido crescimento financeiro, político e cultural a todo o mundo.
 
Fiquei hospedada num hotel mesmo próximo da estação de metro "Masjid Jamek", localização central e bem servida de transportes públicos.  Para os amantes de caminhadas posso também dizer que fiquei a um passeio a pé de cerca de 20-30minutos das principais atracções da cidade, o que se fazia muito bem. Contudo, KL tem mesmo uma óptima rede de transportes públicos. Aquando da minha viagem encontrei um esquema com as principais linhas de metropolitano e de comboio da cidade, e que servem todas as suas zonas atractivas. Foi-me realmente útil pelo que partilho aqui convosco:
 
Sei que não se consegue ver bem aqui no blog, mas copiem a imagem e aumentem o zoom que verão melhor!
Especialmente a linha KJ (a rosa) é bastante útil pois serve a zona da KL Sentral (uma boa referência pois esta é a maior estação de caminhos de ferro do sudeste asiático, onde confluem a maior parte dos transportes públicos urbanos e intercidades de KL), a zona de Masjid Jamek (área histórica onde encontramos, por exemplo, o Museu da História Nacional, a mesquita mais antiga da cidade e a Praça Merdeka onde foi proclamada a independência do país) e as zonas de duas das construções mais conhecidas do mundo: a KL Tower e as Petronas Twin Towers, que até estão próximas uma da outra.
 
Uma das suas atracções é a Torre de Kuala Lumpur (KL Tower ou Menara KL Tower). A sua construção terminou em Maio de 1996 e tem cerca de 421metros de altura, sendo a sexta torre de telecomunicações mais alta  do mundo, cuja finalidade é mesmo a de melhorar a qualidade das comunicações e radiodifusão. Para lá chegar temos que realizar um percurso pedestre no meio de um parque florestal (Bukit Nanas Forest Reserve) que inclui várias dezenas de escadas, um circuito de manutenção e a travessia de um ponte de madeira suspensa. Na  minha opinião, este parque não está bem identificado e a sua entrada também não pelo que tive alguma dificuldade em o encontrar. Posso dizer que é mesmo junto à entrada para o metro de superfície, na intercepção entre as estações "Dang Wangi" (Linha KJ) e "Bukit Nanas" (Linha MR). O passeio acaba por ser agradável, com uma boa dose de aventura pelo tipo de percurso em si e pela sensação de afastamento total da cidade (à entrada existe mesmo um aviso que imputa toda a responsabilidade aos visitantes de todo e qualquer incidente ocorrido naquele trajecto, o que me causou logo algum receio pelo desconhecimento do que iria encontrar...). Aconselho assim para quem quer visitar esta torre a fazê-lo de dia e a uma hora com boa luz natural e de menor calor porque a ginástica acaba por ser muita!
Um bilhete de adulto para a subida e visita à Menara KL Tower custou-me 45MYR. O elevador que nos leva ao deck de observação, situado a 276metros de altura, sobe esta distância em pouco mais de 50segundos! A foto seguinte mostra uma das vistas do cimo da Menara KL Tower. O seu formato redondo permite uma verdadeira vista panorâmica por toda a cidade e a nossa visão é guiada por uma apresentação audio, através do uso de uns auscultadores que são distribuídos à chegada.


À noite a Menara KL Tower destaca-se bem nesta cidade, razão pela qual é conhecida como "The Garden City of Light". Na minha opinião assemelha-se mesmo a um OVNI!

 
Na minha opinião a passagem mais do que obrigatória é a visita às Petronas. O Grupo Petronas, fundado em 1974 como a companhia nacional de petróleo e gás da Malásia é, actualmente, uma multinacional de renome. O rápido crescimento financeiro desta companhia tornou possível o desenvolvimento socio-económico deste país, o seu progresso e a sua globalização. A sua missão envolve também acções em vários sectores:  educação, cultura, artes, saúde, ambiente e até no desporto. Dados todos estes contributos e a sua óbvia importância para a posição actual da Malásia no mundo, a construção destas torres gémeas adoptou o seu nome e teve o seu patrocínio (claro!). As Torres Petronas (Petronas Twin Towers), o principal símbolo da cidade, são, actualmente, as maiores torres gémeas e o sexto edifício, já construído, mais alto do mundo (até 2004 foi mesmo o edifício mais alto do mundo). É uma construção de aço, com revestimento em vidro, composta por dois arranha-céus iguais, iniciada em 1992 e concluída em 1998, com 88 andares e um total de 452 metros de altura. Apesar da sua concepção inicial ser a de um projecto abandonado para um edifício na cidade de Chicago, o seu piso térreo foi desenvolvido e desenhado com base em motivos geométricos islâmicos, em forma de uma estrela de oito pontas. Arquitectonicamente, estes motivos reflectem a importância dos princípios islâmicos de "unidade na unidade, harmonia, estabilidade e racionalidade".  Na sua base encontra-se um enorme centro comercial.
Diariamente, dentro do próprio edifício, é vendido um número limitado de bilhetes para realizar a visita guiada a estas torres, a partir das 08h30 (as bilheteiras fecham às segundas-feiras). Apesar de existirem vários horários de visita disponíveis, quer de dia, quer á noite (desde as 09h até às 19h),  convém ir mesmo cedo para a fila da bilheteira pois rapidamente os bilhetes esgotam. Optei por escolher um horário de visita nocturno de forma a ter esta perspectiva da cidade, diferente da perspectiva diurna que a visita à Menara KL Tower me possibilitou. O bilhete de adulto para a visita às Petronas custou-me 50MYR.
 
Curiosidade: aqui foram filmadas das cenas do filme "Armadilha" com Sean Connery e Catherine Zeta-Jones.

 
É absolutamente incrível ver como estas torres iluminam a cidade à noite, com uma luz bem brilhante e diferente de qualquer outro elemento luminoso de KL. Ao deparar-me com esta construção senti mesmo que estava a entrar em outra dimensão e que tudo em redor não condizia em nada com a sua imponência!
 


 
A visita guiada inicia-se com uma apresentação em holograma da história das Petrons, após a qual temos oportunidade de subir de elevador (e em poucos segundos) a dois níveis diferentes de uma das torres. A primeira paragem é na Skybridge (corresponde aos pisos 41 e 42), uma ponte central que une as duas torres, a 170metros de altitude. Já nesta fase tive a sensação de estar a levitar sobre a cidade de KL. Há mesmo quem garanta que se sente alguma oscilação nesta ponte! A segunda paragem é no deck de observação (corres+ponde ao piso 86), a  360metros de altura. Aqui tudo na cidade de KL parece realmente pequeno e os pontos de luz assemelham-se a pirilampos, como podem ver na primeira fotografia. Antes de subir aconselho uma boa preparação psicológica para quem tem medo das alturas, pois a altitude em si, o facto do edíficio ser revestido a vidro e a possibilidade de nos colocarmos mesmo junto a ele em nada ajuda a quem sofre de vertigens!
 
 
Na fotografia seguinte podem comprovar a que nível é possível subir neste edifício. A imagem da Menara KL Tower ao lado da torre gémea é fabulosa e daqui até parece pequenina!
 
 
Para mim estas foram as grandes atracções desta cidade. Claro que mais há para ver. Como disse no início, percorrer a linha de metro KJ facilita a organização do nosso percurso, pois ela engloba a passagem pelos pontos-chave de KL. Tal como qualquer outro país asiático existe também uma Chinatown e Little India, zonas típicas onde nos sentimos literalmente transportados para esses mesmos países. Como não pudia deixar de ser tive também de visitar o HardRock desta cidade, local onde um dos empregados que nos serviu, após saber que vinhamos de Portugal, disse as seguintes palavras "I like Benfica" (sem ofensa para ninguém claro, mas foi óptimo ouvir ao invés do habitual "Cristiano Ronaldo")! Aliás, percebi que os Malaicos adoram futebol, apesar de não terem grande apetência para este tipo de desporto. Até o HardRock estava a ser decorado com as bandeiras dos países que estavam apurados para o Europeu 2012.
 
A minha passagem pela Malásia também me levou aos arredores de KL para conhecer uma outra atracção deste país... mas isso fica para conhecer no próximo capítulo!
 
Até lá boas viagens :)


domingo, 14 de outubro de 2012

Malásia

A minha ida à Malásia aconteceu em Maio deste ano. Acabou por ser uma estadia breve comparável a uma curta "escala" na viagem de avião entre Singapura ao Cambodja, mas que me pareceu obrigatório aproveitar a sua proximidade no meu itinerário. Estive assim dois dias neste país, o que se resumiu a conhecer a sua capital: Kuala Lumpur, a maior cidade deste país. Gostaria também de ter passado pela cidade histórica de Malaca (ou Melaka), zona colonial e onde ainda hoje encontramos sinais da passagem portuguesa, do tempo dos Descobrimentos, ou rumar à ilha de Bornéu mas não houve mesmo tempo. Mais uma vez parece que terei que lá voltar um dia mais tarde!
 

Antiga colónia inglesa este país é composto por uma parte continental, situado entre a Tailândia e Singapura e uma parte insular, a ilha de Bornéu, que faz fronteira com a Indonésia. É um país multicultural onde convivem, principalmente, malaios, chineses e indianos, entre outros povos, o que origina também uma variedade de religiões praticadas, com relevo para o islamismo pelo que é aconselhável manter um comportamento social adequado. O Budismo, o Cristianismo e o Hinduísmo também são prevalentes. A título de exemplo, a imagem abaixo mostra as proibições que aparecem nos transportes públicos deste país.



O malaio é a língua oficial e a moeda o Ringgit (MYR - 1 Euro são aproximadamente 4 MYR). O seu clima é predominantemente quente durante todo o ano, com ocorrência de períodos de chuva abundante durante a época das monções.
A Malásia tem-se mostrado um país com grande capacidade de desenvolvimento e tem tido mesmo um crescimento economico notável, sendo a construção das Torres Petronas símbolo desta evolução.


Aqui encontrei um país desenvolvido e com potencial para continuar a crescer mas, ao mesmo tempo, "sujo". Lixo espalhado, muitos sem-abrigos a durmir em qualquer canto, muitas baratas, ratos e ratazanas a "passearem-se" nas ruas, zonas dominadas pelo mau-cheiro... enfim situações que não me fizeram ficar apaixonada por este país... com excepção das Torres Petronas, construção moderna e verdadeiramente imponente, com uma luz própria que parece iluminar toda a cidade e destacar-se como um edíficio diferente de tudo o resto... e de tudo o que vi até hoje! Apesar de tudo isto tive oportunidade de passear muito a pé pela cidade e também de transportes públicos, nunca tendo sentido qualquer tipo de ameça, quer de dia, quer de noite. Quando necessitei também abordei os locais que se mostraram sempre disponíveis a ajudar e a esclarecer as minhas questões.

Seguidamente irei descrever-vos a minha passagem por Kuala Lumpur. Vamos a isso?

domingo, 7 de outubro de 2012

Phnom Penh

Phnom Penh foi pela primeira vez capital do Cambodja após Angkor Thom, no século XV, contudo após várias guerras e tentativas de invasão estrangeira foi abandonada, tendo voltado a ser a capital permanente do Cambodja desde 1865. Desde início do século XX que se tornou conhecida como a "Pérola da Ásia" o que lhe possibilitou um rápido e grande desenvolvimento sendo, actualmente, a maior cidade deste país e centro económico e industrial. Está situada nas margens do rio Mekong e do Tonlé Sap Lake.
É nesta cidade que podemos visitar o Royal Palace e a Silver Pagoda, sendo o primeiro um complexo com vários edificios entre os quais a residência oficial do rei.  A primeira imagem mostra o edifício do trono, "Throne Hall", hoje utilizado para cerimónias reais e religiosas. A segunda imagem mostra a Silver Pagoda, local onde estão protegidos alguns dos tesouros nacionais como estátuas do Buda e outras peças em metais e pedras preciosas. A terceira imagem corresponde ao túmulo do rei Norodom Suramarit, nascido nesta mesma cidade.
Este é um complexo muito bem cuidado e preservado, com jardins com plantas tropicais que vale bem a pena conhecer.


Visitei também o Museu Nacional, o maior museu do Cambodja, local onde se encontram diversas peças da arte antiga Khmer, que nos revelam a sua história, cultura, religião e arqueologia.

Seguidamente tomei contacto com os acontecimentos chocantes de um dos maiores massacres ocorridos na história mundial e que até é bem recente... um regime ditatrial que se intitulava de "Democracia Kampuchea". O Tuol Sleng Genocide Museum foi em tempos uma escola universitária que deu lugar a uma prisão de alta segurança 21 ou S-21, na altura do regime dos Khmers Vermelhos, quando estes ganharam a guerra civil em 1975 e prevaleceram até 1979. Nesta altura a população foi obrigada a deixar a cidade para ir viver para a periferia, em condições semelhantes à escravidão, enquanto neste edifício os muros foram forrados com arame farpado, as janelas tapadas e as salas de aula convertidas em apertadas prisões e salas de tortura onde a detenção, o interrogatório, a tortura e o assassíneo dos prisioneiros eram actividades diárias. Pal Pot foi um dos líderes deste regime e um dos mais famosos ditadores conhecidos na história mundial recente. Estima-se que cerca de 20 000 prisioneiros, acusados de espionagem contra o regime, tenham aqui estado em condições desumanas e, inevitavelmente, morrido. Foi em 1979 que o exército vietnamita descobriu este local de horror e conseguiu travar este regime sangrento. Desde então foi tornado museu de forma a que todo o mundo soubesse do que ali se passou e fosse exemplo do que nunca se deverá voltar a repetir. Percam um pouco de tempo e leiam o regulamento de segurança que consta na quarta fotografia e vão perceber quanto brutal era este regime...



Fiquei hospedada no Cardamom Hotel, um hotel muito bem localizado no centro da capital e classificado com de 3*, embora com um atendimento e uma qualidade hoteleira comparável, no nosso país, aos hotéis de 4 estrelas.

Ao contrário da periferia de Siem Reap, em Phnom Penh encontramos uma cidade com boas condições sanitárias, grandes prédios e hotéis e um crescimento económico notório. Muito mais havia para ver nesta cidade.  Exemplos fáceis e que tenho muita pena é de não ter conseguido visitar o Wat Phnom, o templo que deu nome a esta cidade ou o Mercado Russo, um mercado enorme e de referência no país onde, com grande oferta comercial.  Mas o tempo não deu para tudo e a estadia foi, de facto, curta. Mas é por isto e por tudo o que descrevi e vivi nesta viagem que me leva a dizer que gostaria bastante de regressar ao Cambodja... quem sabe um dia mais tarde!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Tonlé Sap Lake

Terminámos a visita a Siem Reap com um passeio de barco no Tonlé Sap Lake onde conhecemos as Floating Villages.

Este lago, conhecido como o "Grande Lago" é, de facto, o maior lago de água doce do Sudeste da Ásia, de grande importância ecológica pois é a partir dele que grande parte do país obtém água e peixe (principalmente peixe-gato). Está ligado ao grande Rio Mekong. Para além do seu tamanho, este lago tem duas características distintivas de todos os outros: o seu fluxo de água muda de direcção duas vezes num ano e existe um grande diferença entre o seu caudal na época seca e na época das chuvas ou monções, sendo que na transição da primeira para a segunda o nível da água chega a subir cerca de 8 metros e o seu caudal aumenta entre 10 000 a 20 000m2, inundando tudo em seu redor por vários km, destruindo casas, plantações e pasto. Desta forma, é facilmente compreensível que é na época seca que este povo mais trabalha e armazena, como forma de conseguir sobreviver à época das chuvas. Na altura em que viajei estávamos mesmo na transição entre a época seca e a época das chuvas pelo que apanhei este lago ainda muito "seco". A própria viagem de barco foi uma aventura pois dado o baixo caudal do Lago, em várias porções era difícil a circulação dos barcos nos dois sentidos e por isso tivémos que fazer várias pausas ao longo do trajecto.



Ao longo de toda esta superfície aquática, vários habitantes construíram habitações e comércio (em grande parte relacionado com a pesca) sobre estacas na água, conhecidas como as Floating Villages. Sendo um povo muito pobre, fiquei especialmente impressionada com duas situações: mulheres a "oferecerem" bebés aos turistas,  em bacias a flutuar no lago, com a desculpa que não têm possibilidade de as sustentar ou crianças a viverem de perto com cobras e crocodilos, tal qual animais de estimação. Na terceira foto reparem bem e vão ver que a criança tem uma cobra enrolada ao seu pescoço como se fosse um colar!



Confesso que esta visita me chocou, particularmente, pela pobreza e pelo modo de vida desta gente. Contudo são estes contrastes com que nos deparamos, que nos fazem dar valor à nossa realidade e fazem parte do enriquecimento que trazemos connosco no regresso a casa e para o resto da nossa vida!

domingo, 30 de setembro de 2012

Istambul

Tenho de começar por dizer que Istambul ocupa um cantinho especial no meu coração. Não sei bem explicar porquê, mas é uma das minhas cidades favoritas e à qual desejo voltar muitas vezes. É uma cidade única, fonte de cultura e história, com uma beleza inigualável devido não só à sua arquitectura e monumentos, mas também à sua posição geográfica. É, surpreendentemente, uma cidade cheia de vida e bastante cosmopolita, talvez por de se encontrar metade no Ásia e metade na Europa, separada pelo Estreito do Bósforo.
É de todo imprescindível fazer um passeio de barco pelo Bósforo; permite ter uma vista geral da cidade e apreciar as margens do rio repletas de casas misturadas com o verde da vegetação e onde se podem ver alguns  palácios magníficos.
Istambul tem tantos pontos de visita obrigatória que se torna uma árdua tarefa falar de todos, sem esquecer que para além destes pontos todos é uma cidade que se tem de "viver". E quando falo de viver falo de deambular pelas ruas, pelos Bazares, pelas lojas, de aproveitar as magníficas vistas de um qualquer ponto alto da cidade: os telhados a perder de vista, as cúpulas das inúmeras Basílicas, os jardins repletos de tulipas... Enfim, Istambul!


Eu optei por ficar hospedada num hotel situado na parte antiga da cidade, mais propriamente no bairro de Sultanahmet. Este encontra-se próximo da maioria dos pontos turísticos da cidade e tem um ambiente bastante típico e acolhedor. Aqui encontram uma grande variedade de hotéis e restaurantes bem como esplanadas com puffs onde podem passar um bom final de tarde a beber um chá ou a fumar os típicos cachimbos de água.



Istambul é uma óptima cidade para se passear a pé. Bastante segura, do meu ponto de vista, e muito acolhedora, desperta-nos a vontade de nos perdermos pelas suas ruas, de deambularmos sem objectivo nem direcção... E por falar em sítios interessantes eis alguns dos quais não podem perder:

Basílica Santa Sofia / Haghia Sofia - a "Igreja da Sagrada Sabedoria" com mais de 1400 anos, foi construída sobre duas igrejas anteriores e convertida numa mesquita no século XV. Hoje em dia é um museu onde se podem apreciar alguns mosaicos que datam do século VI. Possui uma das maiores cúpulas existente no mundo, sem dúvida impressionante.





Em frente da Santa Sofia, no lado oposto da praça, fica a a Mesquita de Sultão Ahmet, mais conhecida como Mesquita Azul, devido aos azulejos azuis que decoram o seu interior.  Foi construída no ínicio do século XVII e é a unica mesquita a possuir 6 minaretes. Quer pelo sua imponente arquitectura exterior, quer pelos lindíssimos azulejos no interior, posso dizer que fiquei rendida a este monumento.








A Cisterna da Basilica de Santa Sofia é uma atracção turística pouco vulgar, mas que eu recomendo vivamente. Possui 336 colunas de estilo coríntio, cada uma com mais de 8 metros de altura e foi construída no século VI para fornecer água a toda a cidade. É difícil não nos deixarmos envolver pelo misticismo que aqui se sente, parte dele inerente ao local e o restante provocado pelo jogo de luzes e sons que a meu ver valorizam muito o local.



O Palácio de Topkapi foi sede do império Otomano durante séculos, constitui hoje em dia um museu onde podemos apreciar uma das mais ricas colecções de antiguidades do mundo.
É impressionante por vários motivos: pela sua dimensão e inúmeros pavilhões separados por pátios onde chegaram a viver doze mil pessoas; pela beleza dos painéis de azulejos  e ornamentos decorativos; pelo valor histórico de algumas preciosidades aqui guardadas, entre elas, peças sagradas do Islão que pertenceram a Maomé.


E como uma cidade não vive só de história, mas também de cultura, não podem deixar de visitar o Grande Bazar e  o Bazar das Especiarias mesmo que não tenham intenção de comprar. Vale a pena percorrer os labirínticos corredores do Grande Bazar repletos de lojas onde se pode encontrar de tudo. Para os adeptos das compras vai ser difícil saírem daqui de mãos a abanar e resistir à tentação de perder umas horas a negociar com os vendedores, factor indispensável neste local. A Turquia é a meu ver o paraíso da contrafacção e aqui encontram-se cópias perfeitas de relógios e malas, entre outros artigos. A maior parte dos artigos não tem preço afixado e ficamos na dúvida se os lojistas pedem um preço qualquer que lhes vem à cabeça no momento, mas o melhor mesmo é oferecerem um valor baixo e irem subindo progressivamente até atingirem o limite que estão dispostos a pagar.
O Bazar das Especiarias, consideravelmente mais pequeno, oferece uma enorme variedade de ervas aromáticas e outros produtos alimentares como frutos secos, mel, carne etc. Vale a pena passar por aqui para apreciar as coloridas bancadas e o cheiro que se sente no ar proveniente da mistura variada de especiarias.




Teria muito mais a dizer sobre esta fantástica cidade, mas deixo para descobrirem por vocês mesmos... Volto em breve com um sítio único e sem comparação possível - a Capadócia!


Templos de Angkor

Para visitar os templos em Angkor é necessário adquirir um passe nos postos oficiais da Autoridade Apsara (Autoridade para a gestão e protecção de Angkor e a região de Siem Reap), cujo valor reverte a favor da manutenção do Parque Arqueológico de Angkor. Existem diferentes validades , sendo que no meu caso comprei um passe de 3 dias cujo valor foi de 40US. Este passe é de apresentação obrigatória à entrada de cada templo e sempre que tal foi exigido elas autoridades locais. É também pessoal e intransmissível. Alertaram-me que havia muitos locais não-oficiais a tentarem vender este tipo de passes ou pessoais a tentar vendê-los em segunda mão, contudo estes não são válidos.
Durante o período da manhã visitei o complexo de Angkor Thom, a última e a maior antiga capital Khmer. Inclui vários monumentos como Bayon Temple, Baphuon, Elephante Terrace, Leper King terrace, entre outros. Existe a possibilidade de entrar neste complexo ou fazer uma visita em redor do mesmo de elefante embora o preço seja, na minha opinião, caro pois por uma visita de 10-15 minutos paga-se 15US por pessoa, sendo que cada elefante pode transportar duas pessoas. Este tipo de visita não inclui guia pois é realizada pelos habitantes locais que não falam língua estrangeira e  a grande maioria nem têm estudos.

Entrei pela porta sul e segui directamente para o Templo de Bayon (ou Prasat Bayon). Todo este monumento está repleto de desenhos históricos, sobre a vida e costumes do Império Khmer, cujos pormenores foram sendo alterados consoante a mudança dos diferentes reinados. Nas suas diferentes torres encontramos esculpidas em pedra grandes caras, todas iguais e cuja identificação não é consensual entre os historiadores mas há quem acredite que é a cara do rei Jayavarman VII, a quem se deve a construção deste grande complexo, entre os séculos XII e XIII.

Seguidamente visitei o templo Baphuon, dedicado à deusa Hindú Shiva. De grandes dimensões este templo foi construído numa porção de terreno arenosa pelo que a sua instabilidade contribuiu para que este se encontre, actualmente, bastante degradado. Com uma torre central com cerca de 50 metros de altura, este templo permite obter uma boa vista aérea da zona em redor.


Durante a tarde tive oportunidade de conhecer o fabuloso Angkor Wat. Este é, actualmente, o maior e melhor conservado Templo do Império Khmer, expoente máximo da sua arquitectura, e daí constituir o maior símbolo arqueológico e histórico de Siem Rep e de todo o Cambodja. É este monumento que se encontra desenhado na bandeira do país e que atrai muitos turistas todos os anos sendo considerado permamentemente, desde 1995, Património da Humanidade pela UNESCO. 


Este é um complexo com forte sentido religioso - inicialmente hindú e posteriormente budista - sendo considerado o maior monumento religioso alguma vez construído e diariamente visitado por monges.


Mandado construir pelo Rei Suryavarman II, no início do século XII, foi também o centro político do Império Khmer e era onde estava situado o palácio real. Dentro das suas muralhas estima-se que viviam cerca de 20 000 pessoas. O complexo é constituído por 3 rectângulos concêntricos, com altura crescente, tendo uma torre mais central que permite visualizar todo o complexo, e é rodeado de um grande lago, que quando cheio reflecte na perfeição a imagem do templo.



Várias agências de viagens incluem na visita a Angkor Wat o assistir ao nascer ou ao pôr-do-sol. O nosso guia explicou-nos que dada a orientação do templo a vista do pôr-do-sol é mais fascinante que a do nascer do sol, pelo que é o que eu própria teria assistido, caso ao final do dia não tivessem surgido várias nuvens que me impossibilitaram de acompanhar este momento... esta expectativa tem sempre este risco!


Em todo o recinto encontramos desenhadas diversas figuras femininas entre as quais se destacam as apsaras ou dançarinas celestiais, dança esta treinada por muitas mulheres do Cambodja e que apresentam em diversos espectáculos. Tive oportunidade de assistir a um deles, ao vivo, durante um jantar e recomendo. O restaurante era muito bom, grande e ao ar livre, com comida típica disposta em buffet. As dançarinas são lindíssimas, estão muito bem vestidas e maquilhadas e apesar da dança ser tranquila a maior  atracção é a capacidade que elas têm para curvar os dedos das mãos e dos pés para fora, o que segundo o nosso guia leva anos de treino profundo.



No dia seguinte conheci o fabuloso Templo Ta Prohm, construído entre os séculos XII e XIII como um mosteiro e uma universidade. Com trabalhos de restauração bem mais recentes em comparação com os outros templos de Angkor, é espantoso visitar este templo situado em plena selva, e ver como a natureza tem evoluído, com enormes raízes a crescerem constantemente por todo o complexo e que têm o poder, por um lado, de o sustentar e, por outro, de o destruir.






Várias cenas do filme "Lara Croft: Tomb Raider" foram filmadas em Angkor Thom, Angkor Wat e Ta Prohm.
Visitei ainda outros templos mas considero estes três paragens obrigatórias para todos os que desejam visitar Siem Reap e conhecer um pouco da história de Angkor e do Cambodja. São, sem dúvida, complexos de uma beleza sem igual!